Nos 90 anos (1926-2026) do fuzilamento de Federico García Lorca (1898-1936), figura maior da lírica castelhana do século XX, por militares falangistas, nas vésperas do eclodir da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), chega-nos o CD Visiones, o ciclo de canções homónimo de Nuno Côrte-Real (1971), com poesia do malogrado poeta.
Ciclicamente, somos fustigados por ventos oscilantes, onde as raízes que nos prendem à mundividência parecem soltar-se. Oscilamos, qual barca à deriva, sem norte, sem vento, sem maré. É o caminho da incerteza, de sombras oblíquas, povoado de visões e espectros. Até onde caminhamos? Lorca procurou dar resposta a este sentimento, através de uma obra impregnada de visões poético-musicais de paixão e morte, de premonições, de desenganos, num arrebatamento desconcertante sem paralelo na história da poesia ocidental. Disso é exemplo o Divã de Tamarit, coletânea de 21 poemas escritos durante os verões de 1931-34, o ciclo de canções Visiones faz uso de sete poemas desta obra: os gazeis Del amor imprevisto, Del amor desesperado, Del amor maravilloso e Del niño muerto; e as casidas De la mujer tendida; De la muchacha dorada e De las palomas oscuras.
Visiones é uma longa interrogação sobre a vida. A barca partiu, mas o destino é incerto.
Programa:
- Ciclo de canções de Nuno Côrte-Real escritas para a voz de Maria Mendes
- I. Preludio
- II. Del amor maravilloso
- III. Del niño muerto
- IV. Coral I
- V. De la mujer tendida
- VI. Del amor desesperado
- VII. De las palomas oscuras
- VIII. Coral II
- IX. De la muchacha dorada
- X. Del amor imprevisto
- XI. Posludio
Ficha Artística e Técnica:
Maria Mendes - voz
Nuno Côrte-Real - direção musical e sintetizador
Süse Ribeiro - desenho de som
Ensemble Darcos
Organização: Câmara Municipal de Torres Vedras, Teatro-Cine de Torres Vedras e Darcos – Associação Cultural
Duração: 120m.
Levantamento de Bilhetes em: https://teatrocinetorresvedras2.bol.pt/; Postos de Turismo e Museus do Concelho, CTT, Worten e Fnac