O trompe-l'œil (expressão francesa que significa "engana o olho") é uma das mais antigas e sofisticadas estratégias da história da arte. Desde os frescos romanos às composições barrocas, passando pelas naturezas-mortas flamengas e pelas intervenções na arquitetura urbana contemporânea, esta técnica desafia a perceção ao criar a ilusão convincente de que uma superfície bidimensional possui volume e profundidade reais.
Nesta oficina, o trompe-l'œil abandona a tela e instala-se na argila. Partindo do universo da pastelaria com as suas texturas, volumes e apelos cromáticos, os participantes são convidados a explorar técnicas de conformação manual para criar puxadores de mobiliário, que habitam a fronteira entre o útil e o ilusório: objetos funcionais que, pela sua semelhança, desafiam quem os encontra a questionar se o que vê é realmente o que é.
A oficina articula, assim, cerâmica e design de produto numa proposta que é também uma reflexão sobre os limites da representação, a sedução do objeto e o papel do engano como dispositivo estético.